PARTIDA NUM.: 743
COMPETIÇÃO: Campeonato Baiano (Terceiro Turno)
JOGO: Bahia 0 X 0 Galícia (BA)
DATA: Domingo, 22 de novembro 1953
LOCAL: Salvador-BA
ESTÁDIO: Governador Octávio Mangabeira (Fonte Nova)
JUIZ: Anisio Morgado (PE)
AUXILIARES: Não disponível
EXPULSÃO: Lierte (Bah)
C. AMARELO: Na época ainda não existia
RENDA: Não disponível
PÚBLICO: Não disponível
BAHIA: Manga, Dario e Nilton; Edson, Ivon e Bacamarte; Claudinho, Lierte, Carlito, Tóia e Isaltino.
TREINADOR: Sotéro Monteiro
GALÍCIA: Não disponível
TREINADOR: Não disponível
OBSERVAÇÃO: Décimo quinto jogo do Bahia no Campeonato Baiano de 1953.
CASO LIERTE:
Foi nesse jogo suspenso prematuramente com apenas 60 minutos, que se iniciaria um caso que sacudiu os meios esportivos baianos daquela época. O jogador Lierte (um dos mais perigosos do quadro tricolor), conhecido pela sua vivacidade, impelia aos seus adversários a persegui-lo em campo com grande tenacidade, o que quase o torna um jogador indisciplinado, sempre envolvido em expulsões, quando reagia violentamente à perseguição dos seus provocadores que, assim, passaram a explorar o seu temperamentalismo.
Assim sendo, ao voltar do campo da Fonte nova para cobrar um lateral, um dos bandeirinhas informou ao árbitro pernambucano Anisio Morgado que o jogador havia empurrado na passagem. o arbitro então expulsou o jogador sem contudo ficar perfeitamente esclarecida a situação, o que veio gerar uma grande confusão.
Hamilton Simões, diretor do clube, tremendamente irritado com o que havia ocorrido, entrou em campo e mandou que todos jogadores se retirassem, enquanto a torcida invadia o campo e fazia justiça com as próprias mãos, agredindo 'impiedosamente' ao árbitro e ao bandeirinha. Acusavam os tricolores de que o juiz havia sido importado pelo Vitória, interessado direto no resultado daquela partida.
Assim sendo, após toda confusão, a diretoria tricolor se reuniu e foi até a residência do presidente da Federação Baiana de Desportos Terrestres (FBDT), o Sr. José Vieira Nascimento, e exigiram dele que a Federação dispensa-se imediatamente o árbitro pernambucano e os dois bandeirinhas cariocas, alegando que tudo se passara premeditadamente para derrotar o tricolor. O presidente da entidade então, tomando uma posição de simpatia, aceitou o pedido do tricolores.
O Galícia por sua vez pretendeu anular a competição que terminara em branco, porém a FBDT resolveu marcar outra data para concluir a partida, escolhendo o árbitro Willer Costa e os bandeirinhas Peixoto Nova e Heráclito Oliveira.
Entretanto para surpresa de todos o Galícia resolveu não não comparecer a partida, pois queria jogar uma nova partida com 90 minutos, obrigando assim a FBDT a configurar o WXO, dando definitivamente a vitória ao Bahia.
Porém, o Galícia resolveu levar o caso a justiça desportiva, e no dia 09 de fevereiro de 1954, o Tribunal de Justiça Desportiva da FBDT se reuniu para apreciar o caso dando razão aos Galicianos, e punindo os tricolores com a marcação dos pontos do jogo para o Galícia, mesmo com os argumentos tricolores de que o árbitro havia consignado em súmula que suspendera o jogo por falta de garantias.
O Tricolores resolveram então recorrer dessa decisão junto ao Superior Tribunal de justiça Desportiva, Porém no dia 08 de julho de 1954 a decisão foi ratificada, encerrando definitivamente o Caso Lierte em favor dos Galicianos.