terça-feira, 24 de setembro de 2013

JOGO 1100

PARTIDA NUM.: 1100 (ÉPICO)
COMPETIÇÃO: Taça Brasil (Segunda Fase - Quarta de Final da Zona Norte - Jogo Extra)


JOGO: Bahia 2 X 0 Sport (PE)
DATA: Terça-feira, 03 de novembro 1959
LOCAL: Recife-PE
ESTÁDIO: Adelmar da Costa Carvalho (Ilha do Retiro)
JUIZ: William Costa (BA)
AUXILIARES: Jose Cavalcante de Brito (BA) e Alfredo Bernardes Torres (PE)
C. AMARELO: Na época ainda não existia
RENDA: Cr$ 224.350,00
PÚBLICO: Não Divulgado
GOLS: Biriba e Léo Briglia (Bah)
BAHIA: Nadinho, Leone, Henrique, Vicente Arenari e Beto; Flávio e Ari; Marito, Alencar, Léo Briglia e Biriba.
TREINADOR: Ephigênio de Freitas Bahiense (Geninho)
SPORT: Dick, Bria, Cido, Dedé e Ney Andrade; Zé Maria e Raúl Bentancor; Traçaia, Bé, Osvaldo e Djalma
TREINADOR: Francisco de Assis Capuano (Capuano)

OBSERVAÇÃO: Oitavo jogo (jogo da negra) do tricolor na Taça Brasil de 1959. O Bahia havia ganho do Sport por 3 X 2 na Fonte Nova na primeira partida da melhor de três que acabaria acontecendo para se decidir quem jogaria as semifinais da Taça Brasil daquele ano com o Vasco. Na partida seguinte em Recife o Sport goleou o Tricolor da 'Boa Terra' Bahia 6 X 0 e assim foi necessário realizar um jogo extra também em Recife no dia 03/11/1959. 

Após a goleada, esta derrota humilhante para o rubro-negro pernambucano e as criticas impiedosas da imprensa de Pernambuco, faziam com que ninguém no Recife acreditasse na recuperação do Bahia.

Um radialista pernambucano não poupou os jogadores tricolores da execração dizendo: "Henrique é um grande atoa que só tem tamanho, Alencar não vale 50 centavos, apesar da recusa de 1,5 milhão de cruzeiros pelo seu passe e Nadinho é um elegante engolidor de frangos" e a imprensa pernambucana continuava dizendo: "Os baianos jogam um futebol feio, sua defesa não consegue conter o avanço dos pernambucanos, e seu ataque é inofensivo", já do Sport a imprensa pernambucana dizia: "Invencíveis gladiadores, donos de classe, técnica, fibra e experiência e que mesmo sem estarem num grande dia, enfiaram 6 X 0 no pobre Bahia".

Toda esta execração da imprensa pernambucana mexeu com os brios do time comandado por Geninho, e quando o Bahia entrou em campo no Estadio da Ilha do Retiro, em Recife, naquela noite de terça-feira (03/11/1959), nos cines Art e Liceu em Salvador estava em cartaz o filme "A Revolta dos Gladiadores", mas naquela noite os Gladiadores não seriam os Pernambucanos e sim os revoltados Baianos

Curiosamente vale lembrar que para esta partida o presidente tricolor Osório Vilas Boas havia combinado com o responsável do controle do placar do Estádio da Ilha do Retiro para que não mudasse o resultado da partira anterior (Sport 6 X 0 Bahia), e no dia jogo, ao entrar em campo com os jogadores, o presidente reuniu todos e mostrou o vexatório placar de 6 X 0 pedindo uma vitória a qualquer custo.

O Jogo

Logo após o inicio da partida ficou claro o domínio do Bahia que apresentava um jogo técnico com muita raça e fibra de seus jogadores, enquanto o Sport nesta noite era quem não passava de um arremedo de time.

O jogador Biriba fez o primeiro gol do Bahia após uma cabeçada despretensiosa que o goleiro Dick do Sport não acreditou que teria o caminho das redes e só se deu conta do desastre quando a bola já estava no fundo do gol. E assim terminaria o primeiro tempo Sport 0 X 1 Bahia, resultado este que já era suficiente para o Tricolor Baiano se classificar para a s semifinais da Taça, mas ainda restava o segundo tempo.

Segundo Tempo

O Bahia continuou jogando bem e não demorou muito para o jogador Leo Briglia marcar o segundo gol do Tricolor Baiano, numa jogada em que Biriba fez de tudo, menos o gol. O Bahia assim sagrava-se Campeão do Norte-Nordeste e estava nas semifinais da Taça Brasil de 1959.

Com o apito final do juiz da partida, todo time tricolor, comissão técnica e dirigentes se emocionaram, e para se ter uma ideia da forte emoção daquele momento, vale lembrar que o jogador Leone desmaiou em campo só recobrando os sentidos 20 minutos depois, sob os cuidados de Hilton Gosling, médico da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1958.

Este foi foi um dos momentos épicos da história esportiva do Tricolor da 'Boa Terra' que mostrou aos comandados do técnico Capuano (duros adversários que valorizaram o triunfo e o título conquistado) e a desdenhosa imprensa pernambucana de que 'nem sempre as coisas são como parecem ser'.

O Bahia não só venceu a partida com muita garra dos seus jogadores, como também funcionou o esquema tático do Técnico Geninho. Era a conquista do seu primeiro título regional, o de "Campeão do Norte-Nordeste". 

A taça foi entregue ao Bahia logo após o jogo pelo Superintendente da CBD, Mozart Di Giorgio, que estava presente acompanhando a partida e logo levada para os vestiários ao som do "Hino do Bahia" cantado pelos próprios jogadores e dirigentes.

O jornalista baiano Genésio Ramos, enviado especial do Jornal A TARDE ao Recife, assim resumiu aquela vitória: " O Bahia venceu graças à bravura, senso de honra e disciplina de uma rapaziada digna de ter seus nomes consagrados na história. O que mais impressionou nos nossos atletas foi a fibra, para mostrar que não se cai na Arena quando está em jogo a honra".

Na manhã do dia 04/11, a imensa torcida tricolor realizou uma passeata pelas principais ruas de Salvador, tendo a frente uma camioneta comandando o cortejo, ao som do belo 'Hino do Bahia', e sendo seguida por inúmeros automóveis com diretores, fãs e desportistas, para em seguida seguirem em direção ao Aeroporto da capital baiana onde receberiam com uma grande festa a delegação tricolor vinda do Recife.

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